Old Gold Worlds

Sunday, July 27, 2008

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Hier soir, j'étais seul avec elle*, nous attendions tous deux l'arrivée du nouvel an, presque en silence. Elle ne songeait guère au présent et, lorsque les cloches se sont mises à sonner et que les larmes jaillirent de ses yeux, j'ai été bouleversé.
myspace layout Carta de Mahler a Friedrich Löhr, 1 de Janeiro de 1885

* Johanna Richter, para quem Mahler escreveu Chants d'un Compagnon Errant

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da voz e da música,

da palavra e do silêncio
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Henri Matisse. La Musique, 1910
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Há imagens estáticas, onde o som se faz e a música arvora. Há imagens silenciosas, ausentes de comunicação, onde paira uma aura de vazio, quase um não-lugar.
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Hammershoi (1864-1916)
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Vale uma imagem por si mesma?
Quietude. Vilhelm Hammershoi, a poesia do silêncio. Sala de música de música ausente.
Mistério. Enigma.
Emptiness.
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de quando o silêncio se faz música, ou a construção da música do silêncio
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Porém, musica-se o silêncio? Mahler, o pensador, parece tê-lo demonstrado. A Primeira Sinfonia de Mahler, um som que repousa sobre o silêncio.

Mahler. Symphony no. 1, 1st mov. part 1, Eschenbach
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Qu’est-ce qui vous a pris de mettre de la musique sur ma musique?
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Verlaine a Gabriel Fauré, após este haver musicado um dos seus poemas
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Musicar um texto é colocar música sobre música? Intruso a pretender dissecar o déjà fait? Musicar a palavra é uma atitude de transgressão?
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ESTRAGON:
I remember the maps of the Holy Land. Coloured they were. Very pretty. The Dead Sea was pale blue. The very look of it made me thirsty. That's where we'll go, I used to say, that's where we'll go for our honeymoon. We'll swim. We'll be happy.
VLADIMIR:
You should have been a poet.
ESTRAGON:
I was. (Gesture towards his rags .) Isn't that obvious?

Silence.

VLADIMIR:
Where was I . . . How's your foot?
ESTRAGON:
Swelling visibly.
VLADIMIR:
Ah yes, the two thieves. Do you remember the story?
ESTRAGON:
No.
VLADIMIR:
Shall I tell it to you?
ESTRAGON:
No.
VLADIMIR:
It'll pass the time. (Pause.) Two thieves, crucified at the same time as our Saviour. One—
ESTRAGON:
Our what?
VLADIMIR:
Our Saviour. Two thieves. One is supposed to have been saved and the other... (he searches for the contrary of saved)... damned.
ESTRAGON:
Saved from what?
VLADIMIR:
Hell.
ESTRAGON:
I'm going.

He does not move.
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Samuel Beckett. Waiting for Godot. Act I
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O Teatro é o lugar da comunicação, actores e público em partilha e comunhão. Operando a ruptura com os géneros clássicos, o Teatro do Absurdo. Resultado da descrença humanista pós Segunda Grande Guerra, um teatro ausente de comunicação. Waiting for Godot, a espera do impossível, Beckett a oferecer-nos o relato do absurdo do homem e da vida. Becket, o texto minimalista. Beckett e a palavra a dizer o silêncio.
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“(…)I do not believe that the text of Godot can support the prolongations which a setting in music would confer to him inevitably. The part like very dramatic, yes, but not the verbal detail. Because it is about a word whose function is not so much to have a direction to fight, badly I hope, against silence, and to return there. I thus see it with difficulty integral part of a sound world.”
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Samuel Beckett, 11 de Março de 1954
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É tão impossível assim musicar Beckett? A criação literária é, por si mesma, musical, a poesia, por excelência, tem uma musicalidade inerente aos jogos de palavras e figuras de estilo. Mas o texto de Becket, silêncio introspecção, retorno ao eu essencial, será impróprio para que dele se faça música?
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Katharina Wagner. Maistersinger, 2007

Ao invés, a Ópera, simbiose de várias artes, arte una querendo dizer todas as outras, aspira a ser literatura, intenção de teatro, comédia ou drama, ainda canto e melodia. Como trata, porém, ela a palavra, que papel nela representa a música?
Enredo cómico ou trágico, os seus cantores são actores, mas a ópera essencialmente é música, o texto frequentemente perde-se, se não acompanharmos o libreto.
Libretos excelentes, uns, ou narrativas tantas outras vezes banais, de qualidade literária duvidosa, as histórias respondem a um esquema quase sempre rígido, pouco variável. Na ópera, a palavra é indissociável do som. Representação, drama e palavras ao serviço da voz e da música.
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Mas eis que, também, a música se torna representação. Sarasate, o romântico, virtuoso entre virtuosos, cor e movimento, leva-nos à imaginação de cenários, sem necessidade da palavra ou da coreografia. É então a música a remeter, ela mesma, a outras artes.
Pablo de Sarasate (1844-1908) Zigeunerweisen, Carmen Fantasy, Navarra…
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Sarasate. Carmen Fantasy, Part 1 of 2, Gil Shaham & Claudio Abbado
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Sarasate. Navarra, Chamber Orchestra Kremlin
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André Derain. Harlequin et Pierrot, c.1924
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Que as artes se tocam, é um facto. Que uma arte pode dar vida a outra, enriquecê-la, promover novas leituras, outro facto. Criatividade a crescer da criatividade. Transformar, travestir. O objecto artístico, qualquer que ele seja, não é estático, metamorfoseia-se. O dito e o não-dito.
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A pintura executou a música e figurou o silêncio. O Teatro expressou a palavra e representou o silêncio. A música recitou a palavra e verbalizou o silêncio.
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Como concluir se não com poesia? O poeta do silêncio e da palavra, Eugénio de Andrade, pois sim!

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São como um cristal,

as palavras.

Algumas um punhal,

um incêndio.

Outras,

orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.

Inseguras navegam:

barcos ou beijos,

as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,

leves.

Tecidas são de luz

e são a noite.

E mesmo pálidas

verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem

as recolhe, assim,

cruéis, desfeitas,

nas suas conchas puras?

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Eugénio de Andrade, As Palavras

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Quando a ternura

parece já do seu ofício fatigada,

e o sono, a mais incerta barca,

inda demora,

quando azuis irrompem

os teus olhos

e procuram

nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras

desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas.

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Eugénio de Andrade, O Silêncio

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Gustav Mahler. Sinfonia Número 1, em D maior, 1888-94
Samuel Beckett. À Espera de Godot, 1948


1. http://www.thelinebeginstoblur.com/store/images/uploads/11.jpg
2. Waiting for Godot: Peter Hall's production in www.telegraph.co.uk.../2006/10/11/btgodot11.xml

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Wednesday, July 2, 2008

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Au clair de la lune,

Mon ami Pierrot

Prête moi ta plume

Pour écrire un mot

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George Méliès. Le voyage dans la lune, 1902*1
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Votre âme est un paysage choisi
Que vont charmant masques et bergamasques
Jouant du luth et dansant et quasi
Tristes sous leurs déguisements fantasques.
Tout en chantant sur le mode mineur
L'amour vainqueur et la vie opportune,
Ils n'ont pas l'air de croire à leur bonheur
Et leur chanson se mêle au clair de lune,
Au calme clair de lune triste et beau,
Qui fait rêver les oiseaux dans les arbres
Et sangloter d'extase les jets d'eau,
Les grands jets d'eau sveltes parmi les marbres.

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Verlaine, Clair de Lune in Fêtes Galantes, 1869





Arte nova. Novo século. Belle époque. 1900.
A Europa conhece a inovadora fotografia, estudos da luz influenciando pictoricamente os pintores. A pintura esquece a técnica, para impressionar o olhar.
Pintura, música, literatura, cinema, fotografia… As artes pisam o mesmo chão, respiram o mesmo ar, caminham a par. Comungam ideias e ideais.
A música impressionista nasce de Debussy.

Compositor da poesia simbolista, criticado por alguns como o último romântico, extasiado com o simbolismo de Turner.
Debussy é cor, luz, o momento preso. Poética das ideias.
Claude Debussy leva a natureza à música.
La Mer (1904), O oceano tornado som. A sua obra mais impressionista.



Turner. Snowstorm, 1842
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La musique est un art libre, jaillissant, un art de plein air,

un art à la mesure des éléments, du vent, du ciel, de la mer !

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Débussy
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La musique évoque l'émotion de mon poème et dépeint le fond du tableau

dans les teintes plus vives qu'aucune couleur n'aurait pu rendre.

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Mallarmé
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Lê Mallarmé, L’après midi d’un faune
Lê Verlaine, Clair de Lune
E neles se inspira
Apologista da liberdade, declina os cânones tradicionais. Debussy, o agente da mudança. Inconvencional.
Revolucionário? Quiçá…
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28 de Março de 1918. Os bombardeamentos desinquietavam o silêncio à passagem do féretro. Anónimo, Claude Debussy, o criador da beleza, vai a enterrar.
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Il semble que c'était un musicien, alguém disse.

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Debussy ao piano, 1893
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De la musique avant toute chose,
Et pour cela préfère l’Impair
Plus vague et plus soluble dans l’air,
Sans rien en lui qui pèse ou qui pose.
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Il faut aussi que tu n’ailles point
Choisir tes mots sans quelque méprise:
Rien de plus cher que la chanson grise
Où l’Indécis au Précis se joint.
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C’est des beaux yeux derrière les voiles,
C’est le grand jour tremblant de midi,
C’est, par un ciel d’automne attiédi,
Le bleu fouillis des claires étoiles!
(…)

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De la musique encore et toujours!
Que ton vers soit la chose envolée
Qu’on sent qui fuit d’une âme en allée
Vers d’autres cieux à d’autres amours.
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Que ton vers soit la bonne aventure
Éparse au vent crispé du matin
Qui va fleurant la menthe et le thym…
Et tout le reste est littérature.
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Paul Verlaine. Art Poétique, in Oeuvres Complètes, Vol. 1 1902 [À Charles Morice]
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Colbert Cassan. Debussy, 1956
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DEBUSSY,


Claire de Lune, 1891 [in Suite Bergamasque], segundo Verlaine
Prèlude à l’Après-Midi d’un Faune, 1894, segundo Mallarmé

La Mer, 1904, segundo Turner

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Turner. Snowstorm, 1842
Verlaine. Clair de Lune, 1869
Mallarmé. L’après midi d’un faune, 1876
George Méliès. Le voyage dans la lune, 1902

*George Méliès, ilusionista, fotógrafo, precursor do cinema

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Stéphane [Étienne] Mallarmé (1842-1898)
Paul Verlaine (1844-1896)
Georges Méliès (1861-1938)
Claude-Achille Debussy (1862-1918)

Os percursores. Os renovadores. Rumo à modernidade

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Mots clés,

l’illusion .........la beauté

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Saturday, May 31, 2008

Avant l'heure, c'est pas l'heure.
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Après l'heure, c'est plus l'heure.
1
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.........en
.........rose,
..........la
.........vie2
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Um rasgo de loucura, outro que tal de exuberância.
Um gosto pelo excelso, uma apetência para a extravagância.
O fausto. O pendor para o belo.
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Je vais te faire une chanson bleue
Pour que tu aies des rêves d'enfant
Où tes nuits n'auront plus de tourments.
Alors le jour, tu vas chanter
Pour que les autres puissent espérer...
Quand le monde l'aura appris,
Tu pourras quitter la vie.
Tu viendras chanter dans les cieux...
...Chanson Bleue...
Tu feras pleurer les anges
En leur racontant tes souffrances.
Apporte dans tes mains trop jolies,
Ton cœur, tes pleurs, et puis la vie...3
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De cuidada educação artística, Marie Antoinette desenha, representa, canta e dança.
Cresce seduzindo. Rodeada de esplendor.
Apaixonada pelas ideias novas, amante das artes, delas protectora, onde se impõe, pois que a participação política lhe era travada, acolheu artistas, patrocinou a pintura e a música. Mecenas do reino que lhe calhou em sorte, e ao qual procurava escapar, seduzida pela liberdade.
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Peut-être bien qu'ailleurs,
Une femme a le cœur
Eperdu de bonheur
Comme moi...
Et que d'un geste heureux
Elle soulève un peu
Le rideau de soie bleue,
Comme moi...4



O íntimo Petit Trianon, seu pequeno reino privado, era lugar de festa, salão de tertúlia, teatro, concerto. Porém também lugar de retorno à natureza, frescura de flores e cascatas, onde se despoja do protocolo. Colorido e temática que transpõe para o vestuário e decoração. Criou um estilo, ainda hoje a ela associado, entre a modernidade e o Oriente.
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Le long de l'herbe
L'eau coule et fait des ronds.
Le ciel superbe

Eblouit les environs.
Le grand soleil joue aux boules
Avec les pommiers fleuris.
Le bal, devant l'eau qui coule
Rabâche des airs de Paris.
Danse, danse au bal de la chance
Danse, danse ma rêverie 5
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. A quoi ça sert l'amour?
On raconte toujours
Des histoires insensées.
A quoi ça sert d'aimer?
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- L'amour ne s'explique pas!
C'est une chose comme ça
Qui vient on ne sait d'où
Et vous prend tout à coup.
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- L'amour ça sert à quoi?
À nous donner d'la joie
Avec des larmes aux yeux
C'est triste et merveilleux!
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Marie Antoinette não estava destinada a reinar. Mas quereria ela ser rainha? Supostamente não.
O seu casamento foi projecto político e muitos retratos produzidos para levar a sua imagem ao futuro Luís XVI.
Para tal, o dauphin enviara expressamente, a Viena, o célebre Joseph Ducreux, que durante a sua estadia realizou numerosos retratos, quer da arquiduquesa quer da sua família.
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Il était arrivé à Vienne le 14 février 1769, écrit l’historien Louis Réau, accompagné d’un coiffeur de Paris qui devait accommoder ao goût français les cheveux assez mal plantés de l’archiduchesse
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Allez venez! Milord
Vous asseoir à ma table
Il fait si froid dehors
Ici, c'est confortable
Laissez-vous faire, Milord
Et prenez bien vos aises
Vos peines sur mon cœur
Et vos pieds sur une chaise 7



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Quarta-feira, 16 de Maio de 1770, a arquiduquesa Marie Antoinette casa com Louis, de dauphin.
Choiseul, ministro de Louis XV e favorito de Madame Pompadour, escolheu este casamento, aliança que ligava a França à Áustria e continha a agressividade da Prussia e o poder crescente da Inglaterra após a Guerra dos Sete Anos.
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C'était un jour de fête
J'crois bien qu'c'était l'printemps
Ça m'a tourné la tête
J'venais d'avoir vingt ans
I' m'a dit qu'j'étais belle
Peut-être pour m'faire plaisir
M'a dit des ritournelles
Avec un beau sourire
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Casam na capela de Versailles, seguindo-se grandes festividades que se alongam por vários dias. Um fogo de artifício, três dias depois, atrasado devido ao mau tempo; um baile de máscaras, a vinte e um; a representação de Athalie, de Racine. Um outro baile de mácaras, a vinte e nove, promovido pelo embaixador de Viena, e, a trinta de Maio, a Concorde assiste à festa popular. Toda Paris numa festa que viria a terminar com o espezinhamento de uma multidão empolgada.
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Ainda que não de uma beleza deslumbrante, Marie Antoinette sempre despertou interesse ou fascínio.
Inocente ou malicioso, o seu rosto era tão versátil e espontâneo que atraía os artistas.
Foi a rainha de França mais representada por pintores e escultores, e também as biografias suscitaram curiosidade. A maior parte dos retratos originais de Marie Antoinette desapareceu durante a Revolução, segundo lei de Março de 1793. De igual modo, foram destruídos bustos em pedra e biscuit, bem como os moldes destes, e outras peças contendo as efígies reais.
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Receando a morte, os nobres, eles mesmos, fizeram desaparecer obras pessoais, bem como ofertas do casal real, pelo que as hoje existentes provêm de colecções estrangeiras, públicas ou privadas, pois que a corte de Versailles possuía copistas que exclusivamente reproduziam quadros da rainha, para deles fazer oferta.

Charpentier, Jeaurat, Mme Nivelon, Jeanne Bocquet e a própria Elisabeth Vigée-Lebrun, uma das favoritas de Marie Antoinette, eram copistas da corte.
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Je revois la ville en fête et en délire
Suffoquant sous le soleil et sous la joie
Et j'entends dans la musique les cris, les rires
Qui éclatent et rebondissent autour de moi
Et perdue parmi ces gens qui me bousculent
Étourdie, désemparée, je reste là 9

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.................................................William Hamilton. Marie-Antoinette conduite à son exécution le 16 octobre 1793, 1794

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Inteligente, arguta, astuciosa, Marie Antoinette é personalidade fascinante.
Protagonista do excesso, a sua vida foi um palco.
Na vida como na morte, a emoção e o drama. Ávida de prazer, até ao último acto.

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Marie Antoinette e Louis XVI, Église de Saint Dénis

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Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal tout ça m'est bien égal!
Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé!
Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux!
Balayées les amours
Et tous leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro 10
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Sous le ciel de Paris.S'envole une chanson.Hum Hum.Elle est née d'aujourd'hui.Dans le cœur d'un garçon.Sous le ciel de Paris.Marchent des amoureux.Hum Hum.Leur bonheur se construit.Sur un air fait pour eux.Sous le pont de Bercy.Un philosophe assis.Deux musiciens quelques badauds.Puis les gens par milliers.Sous le ciel de Paris.Jusqu'au soir vont chanter.Hum Hum.L'hymne d'un peuple épris.De sa vieille cité.Près de Notre Dame.Parfois couve un drame.Oui mais à Paname.Tout peut s'arranger.Quelques rayons.Du ciel d'été.L'accordéon.D'un marinier.L'espoir fleurit.Au ciel de Paris.Sous le ciel de Paris.Coule un fleuve joyeux.Hum Hum.Il endort dans la nuit.Les clochards et les gueux.Sous le ciel de Paris.Les oiseaux du Bon Dieu.Hum Hum.Viennent du monde entier.Pour bavarder entre eux.Et le ciel de Paris.A son secret pour lui.Depuis vingt siècles il est épris.De notre Ile Saint Louis.Quand elle lui sourit.Il met son habit bleu.Hum Hum.Quand il pleut sur Paris.C'est qu'il est malheureux.Quand il est trop jaloux.De ses millions d'amants.Hum Hum.Il fait gronder sur nous.Son tonnerr' éclatant.Mais le ciel de Paris.N'est pas longtemps cruel.Hum Hum.Pour se fair' pardonner.Il offre un arc en ciel. 11

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Edith Piaf
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1.
Avant l'heure, 1951
Paroles: Marcel Achard. Musique: Marguerite Monnot
2.
La vie en rose, 1946
Paroles: Edith Piaf. Musique: Louiguy
http://www.youtube.com/watch?v=2-sUzR71wpQ
3.
Chanson bleue, 1951
Paroles: Edith Piaf. Musique: Marguerite Monnot
4.
Comme moi, 1957
Paroles: Claude Delécluse, Michèle Senlis. Musique: Marguerite Monnot
5.
Au bal de la chance, 1952
Paroles: Jacques Larue. Musique: Norbert Glanzberg
6.
Aquoi ça sert l'amour?, 1962
Paroles et Musique: Michel Emer
http://www.youtube.com/watch?v=MuJi9AQpB7Q
7.
Milord, 1959
Paroles: Georges Moustaki. Musique: Marguerite Monnot
http://www.youtube.com/watch?v=2yKmovWbJQ8
8.
C'était un jour de fête, 1941
Paroles: Edith Piaf. Musique: Marguerite Monnot
9.
La foule, 1953
Paroles: Enrique Dizeo adapt fr : Michel Rivgauche. Musique: Angel Cabral
http://www.youtube.com/watch?v=rbsl5_203Ms
10.
Non, je ne regrette rien, 1961
Paroles: Michel Vaucaire. Musique: Charles Dumont
http://www.youtube.com/watch?v=CqTLqRFKjAU
11.
Sous le ciel de Paris, 1951
Paroles: Jean Dréjac. Musique: Hubert Giraud
http://www.youtube.com/watch?v=FhXQHCr-ciA
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Slideshow, imagens do filme Marie Antoinette, Sofia Coppola 2006
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Violise Lunn. Chaussure.
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Saturday, May 24, 2008

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Eu te faço jurar pelos céus, pela terra, pela luz e pelas trevas;
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Eu te faço jurar pelo fogo, pelo ar, pela terra e pela água
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Juramento alquímico
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Heinrich Khunrath. The First Stage of the Great Work, ou Alchemist's Laboratory,

in Amphitheatrum Sapientiae Aeternae, 1595

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Alquimia, a ciência dos elementos.
Fausto, o sábio alquimista desalentado. Solitário. Atormentado. Sem rumo. Entre a magia, a medicina e a teologia. Ausente de luz.
Fausto tentado por Mefistófeles, demónio iluminista sem cauda ou cheiro de enxofre.
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Tentado, desde os vinte anos, pela lenda de Fausto, Berlioz compõe a música para oito cenas da obra de Goethe, escrita em 1808. Romântico hino de amor, La Damnation de Fauste é apresentada como concerto em 1846, e encenada em 1893.
Para a mesma personagem, Delacroix produz uma sequência de várias litografias.
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Foi durante a viagem à Austria, Hungria, Boémia e Silesia que comecei a compor a minha lenda de Fausto, plano que havia ponderado longamente. (…) Pretendia incluir no novo trabalho, os fragmentos da tradução de Fausto de Goethe, por Gérard de Nerval, que eu já havia musicado vinte anos antes (nas Huit scènes de Faust). Durante a viagem na velha carruagem do comboio alemão, tentei escrever os versos indicados para a minha música. Comecei com a invocação da natureza de Fausto, sem pretender traduzir ou mesmo imitar a obra-mestra de Goethe, apenas procurar nela inspiração, e dela extrair a substância musical que ela continha. Escrevi o seguinte excerto, que me deu a esperança de que eu poderia conseguir escrever o resto,
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Nature immense, impénétrable et fière!
Toi seule donnes trêve à mon ennui sans fin!
Sur ton sein tout-puissant je sens moins ma misère,
Je retrouve ma force et je crois vivre enfin.
Oui, soufflez ouragans, criez, forêts profondes,
Croulez rochers, torrents précipitez vos ondes!
A vos bruits souverains, ma voix aime à s’unir.
Forêts, rochers, torrents, je vous adore! mondes
Qui scintillez, vers vous s’élance le désir
D’un cœur trop vaste et d’une âme altérée
D’un bonheur qui la fuit.
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Hector Berlioz. Memoires, chapitre 54
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A lenda de Fausto
inspirou
tanto escritores
quanto pintores
e compositores
e une Berlioz, Delacroix e Goethe.
A primeira Trindade.

Goethe concede o mote. Delacroix adita a imagem. Berlioz provê a música.
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Eugène Delacroix.
Faust dans son cabinet, 1828
........................................................... Eugène Delacroix.
........................................................Méphistophélès apparaissant à Faust, 1828
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Le vieil hiver a fait place au printemps;
La nature s’est rajeunie;
Les cieux la coupole infinie
Laisse pleuvoir mille feux éclatants.
Je sens glisser dans l’air la brise matinale;
De ma poitrine ardente un souffle pur s’exhale.
J’entends autour de moi le réveil des oiseaux,
Le long bruissement des plantes et des eaux.
Oh! qu’il est doux de vivre au fond des solitudes,
Loin de la lutte humaine et loin des multitudes!
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FAUST, Plaines de Hongrie (seul dans les champs au lever du soleil). Scène I
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in La Damnation de Faust, Hector Berlioz, segundo o Fausto de Johann Wolfgang von Goethe.
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Delacroix. La mer à Dieppe, 1852
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Cor. Abandono ao prazer da luz, brilho, reflexo.
Paixão e sonho, o Romantismo francês, movimento burguês, contrário ao racionalismo anterior, enjeita a objectividade e centra-se nas emoções interiores.
O homem romântico, sentimental e sonhador, é um eterno insatisfeito, hiperboliza sentimentos e emoções.
O eu é o motor do seu espírito. Um eu que se encontra com a natureza, misteriosa, protectora, essência e essencial. Culto da solidão e evasão. Fuga. Mal du siècle.
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Si donc… quelqu’un demande [au poète] à quoi bom ces Orientales? qui a pu inspirer de s’aller promener en Orient pendant tout un volume? que signifie ce livre inutile de pure poésie, jeté au milieu des préoccupations graves du public? où est l’opportunité? à quoi rime l’Orient?... Il répondra qu’il n’en sait rien, que c’est une idée qui lui a pris, et qui lui a pris d’une façon ridicule, en allant voir coucher le soleil
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Victor Hugo, Les Orientales (prefácio), 1829
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Cantar por cantar, dizer por dizer. Não pensar. Não sentir. Apenas a palavra. O verso. Cor e exotismo.
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Eugène Delacroix. Femmes d'Alger dans leur intérieur, 1849
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Si je n'étais captive,
J'aimerais ce pays,
Et cette mer plaintive,
Et ces champs de maïs,
Et ces astres sans nombre,
Si le long du mur sombre
N'étincelait dans l'ombre
Le sabre des spahis...
Pourtant j'aime une rive
Où jamais des hivers
Le souffie froid n'arrive
Par des vitraux ouverts.
L'été, la pluie est chaude,
L'insecte vert qui rĂ´de
Luit, vivante émeraude,
Sous les brins d'herbe verts.
(…)
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Victor Hugo. La Captive in Les Orientales.
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Berlioz e Victor Hugo cruzam-se na sedução pelo mundo oriental, exótico de sons e aromas. Um mundo tão na moda na Paris das décadas de vinte e trinta. Partindo de Les Orientales de Victor Hugo, 1829, lânguido texto, Berlioz compõe várias melodias, entre elas La Captive.
É depois Victor Hugo quem lhe pede que faça a música de outros escritos seus. Cresce entre ambos uma recíproca admiração, cúmplice fascínio pelo Oriental, que marcaria as suas obras e voltaria a reuni-los em diversos trabalhos, a que podemos associar as não menos coloridas telas de Delacroix.
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Berlioz, Victor Hugo, Delacroix, a segunda trindade, a grande Trindade Romântica.
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.................................................Eugène Delacroix. Esboço para a Morte de Sardanapalus, c. 1827
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Sardanapale é irmão de Assurbanipal, rei culto e nada dado a conflitos bélicos, que nomeara Sradanapale como regente de Babilónia. Traído, Assurbanipal terá cercado Babilónia, de modo a punir o irmão da sua traição. Eis que Sardanapale, sabedor da derrota, escolhe morrer, com todas as suas mulheres e escravos e incendiar a cidade.
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La Mort de Sardanapale, 1929, é o quadro mais romântico de Delacroix e uma das suas obras maiores. Exposto no Salon de Paris, foi porém mal recebido pelo público, Victor Hugo, também ele seduzido pelo fascínio oriental, elogia a rejeição do belo e impiedade da cena. Berlioz, inclusivé pelo tema arrebatado, escreve a cantata La Mort de Sardanapale, com a qual, em 1830, ganha o Prix de Rome, o maior prémio artístico concedido pela Academia de Paris.
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Eugène Delacroix. La mort de Sardanapale, 1829
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A obra de Berlioz, romântico genuíno, onde proliferam as referências literárias, está por demais ligada à literatura. Virgílio, Shakespeare, Goethe, Byron, Victor Hugo… combinações instrumentais a servirem musicais textos, e, porque cor, as suas obras encontram eco também em vários pintores, Delacroix, Kreling, Turner, Waterhouse…
Das duas trindades, Goethe, Delacroix, Berlioz ou Victor Hugo, Delacroix, Berlioz, aparentemente nada os ligava. Inexistente qualquer afinidade. Porém, a mesma psicologia, sinais comuns de um tempo, a mesma expressão.
Todas as épocas têm uma raíz comum, similares matizes. Os mesmos traços, as mesmas apetências, trate-se de música, pintura, literatura… aquilo que se denomina de psicologia de época. E esta manifesta-se porque as artes interpretam e reflectem a ideologia social, aceitação ou protesto, ânimos ou desesperos. Clarões dos estados de alma.
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Goethe. Fausto, 1808
Berlioz. La Damnation de Fauste, 1846
Delacroix. Faust litografias, 1828
Victor Hugo. Les Orientales, 1829
Berlioz. La Captive. Composta em 1832. Orquestrada em 1848
Delacroix. La mort de Sardanapale, 1829
Berlioz. La mort de Sardanapale (cantata), 1830
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Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
Eugène Delacroix (1798-1863)
Victor Hugo (1802-1855)
Hector Berlioz (1803-1869)

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